O ciclista espanhol da Aviludo-Louletano-Loulé aproveitou a fuga do dia na última etapa para destronar Fábio Costa. Enzo Leijnse venceu a tirada final.
ÁGUEDA – Que desfecho dramático e espetacular. Numa última etapa digna de um guião de cinema, o espanhol Jorge López (Aviludo-Louletano-Loulé) sagrou-se, este domingo, o grande vencedor da 46.ª edição do Grande Prémio ABIMOTA. Numa tirada de 140 quilómetros que ligou Sever do Vouga a Águeda, a vitória na etapa sorriu a Enzo Leijnse (Anicolor/Campicarn), mas a grande festa fez-se com as cores algarvias da Louletano, com López a vestir a ansiada Camisola Amarela | HYDRO no pódio final.
Foram três dias de autêntica loucura no asfalto, marcados por três líderes diferentes e uma competitividade feroz que durou até ao último metro.
O drama da Montanha e o desgaste do líder
A história da última tirada começou a desenhar-se cedo, logo nas duas contagens de montanha de segunda categoria. Na subida para as Talhadas, o azar bateu à porta de Gaspar Gonçalves (GI Group Holding-Simoldes-UDO): quando tentava assaltar a liderança dos trepadores, uma avaria mecânica deitou tudo a perder. Quem agradeceu foi o russo Viacheslav Ivanov (Feirense Beeceler), que carimbou ali a conquista definitiva da Camisola Azul.
Pouco depois, o camisola amarela à partida, Fábio Costa (Feira dos Sofás-Boavista), viu-se isolado e sem companheiros de equipa. Alvo de um autêntico “fogo cruzado” com sucessivos ataques dos homens da Efapel Cycling, o líder resistiu a tudo na subida, mas pagou um preço alto pelo desgaste.
A fuga que valeu o ouro
Após o terreno mais escarpado, o xadrez da corrida mudou por completo na zona plana. Formou-se na frente uma fuga de 10 unidades de respeito, com ciclistas como João Medeiros, Enzo Leijnse e o próprio Jorge López, que partira para esta etapa no quarto posto da geral.
Atrás, no pelotão, a equipa do líder tentou desesperadamente anular a desvantagem. Contou com a ajuda cirúrgica da Anicolor e da Tavfer, mas o bloco da Efapel Cycling recusou-se a colaborar na perseguição. Na frente, os fugitivos abriram o livro e mantiveram uma vantagem confortável.
Na discussão da etapa, Enzo Leijnse foi o mais forte, cruzando a meta à frente de João Medeiros (Credibom/LA Alumínios). Logo atrás, Jorge López bateu Harrison Wood num duelo direto pelo terceiro lugar da tirada. Os segundos de bonificação conquistados pelo espanhol foram o golpe de misericórdia nas contas do casaco amarelo.
“Senti motivação em dose tripla: primeiro, para dedicar a vitória aos meus companheiros que caíram; segundo, para melhorar o quarto lugar de ontem; e, por fim, para celebrar a minha primeira vitória como profissional.”
— Jorge López, visivelmente emocionado no final.
A bonança após a tempestade
A vitória de López ganha contornos heroicos se lembrarmos que a Aviludo-Louletano-Loulé correu praticamente dizimada, após as baixas forçadas do chefe de fila Nicolás Tivani, de Cláudio Leal e de Filipe Francisco. Américo Silva, diretor desportivo da equipa, não escondeu o orgulho: “Ficámos abalados quando perdemos três ciclistas, mas mantivemos a cabeça levantada. Depois da tempestade vem a bonança e esta vitória foi justíssima.”
No pódio final da geral, Harrison Wood (Feirense Beeceler) garantiu o segundo lugar a escassos 5 segundos de López, enquanto o destronado Fábio Costa fechou o pódio no terceiro posto, a 45 segundos do vencedor.
Para Vital Almeida, diretor da corrida, o balanço não podia ser mais positivo: “Houve dúvidas até ao fim. Foi uma edição decidida mesmo até ao último metro da linha de chegada”, rematou.












